Ultimamente, junto com a minha fase “quebrando os preconceitos com as doutrinas”, tem surgido em mim um forte interesse pela filosofia budista e tenho buscado cada vez mais conhecer esse modo de vida tão simples e ao mesmo tempo tão complicado (justamente por ser tão simples).
Um conceito que sempre me intrigou foi o conceito de não-violência. Quero dizer: sempre me pareceu um conceito óbvio demais. É claro que agredir os outros é “errado”, desde pequenos aprendemos isso. Ou ainda uma outra abordagem é a do carma: não agrida o outro, pois essa agressão retornará para você em seguida. Mas por quê? (e eu não sei se esse é o por que certo para ser usado nesse contexto, mas whatever).
Andei então refletindo sobre esse assunto e a minha concepção atual sobre não-violência mudou um pouco. Acredito que o ato de violência seja, de fato, o ato que legitima da forma mais profunda possível a separação entre o sujeito agressor e o sujeito agredido, o eu e o outro. Se eu posso te agredir, é porque eu não sou você. Ninguém em um estado “normal” de consciência deseja agredir a si mesmo, mas as pessoas agridem umas às outras como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mesmo para defenderem os seus egos. O lado negativo do carma surge naturalmente, pois independente da ilusão da separação gerada pelo ego, essa ilusão não pode afetar a realidade última que é a unidade de todas as coisas e por isso, ao agredirmos ao “ outro”, estamos na verdade agredindo a nós mesmos. Dessa forma, a busca pela não-violência vai muito além do hábito de não agredir e não causar sofrimento ao outro, mas visa acabar com a separação criada pelo ego, busca a unidade de todas as coisas e dessa forma a liberação final do carma.
A mensagem do budismo é realmente uma mensagem muito simples, mas ao mesmo tempo muito profunda e muito bela. Embora ainda esteja a anos-luz de distância de experimentar realmente a filosofia budista na minha vida, este é um caminho que tem me encantado cada vez mais e me estimulado a conhecer sempre mais dessa fonte inesgotável de luz que é a filosofia oriental.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
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