quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

La valse d'Amélie





Estou escrevendo agora após ter assistido novamente um dos filmes que, na minha opinião, não podem faltar no currículo de ninguém que queira falar algo sobre cinema moderno. E o filme é "O fabuloso destino de Amélie Poulain". Esse filme tem uma história engraçada. Eu comprei ele para dar de presente para uma tia minha, mas logo no dia que comprei eu o esqueci na casa de um amigo meu. E dia vai, dia vem, só retornei à casa desse meu amigo um ano depois para pegar o filme, aproveitamos para comemorar o aniversário dele lá hehe (do filme, é claro). Hoje o espírito cinematográfico pré-2009 me atingiu e resolvi assistí-lo novamente, pois a outra vez que eu o assisti já foi há muito tempo.

Esse filme para mim é uma aula de cinema. A trilha sonora feita para o filme é excepcionalmente bela e envolvente, entrelaçando-se completamente com a fotografia de tons vivos e um tanto onírica do filme. E é de certa maneira sobre isso que o filme discursa: Nossos sonhos e suas realizações, a realização da vida propriamente dita. E nada como apenas respirar, mas perseguir seus sonhos sem medo (o medo é um assunto um tanto recorrente nos meus textos, quem sabe eu esteja me preparando para deixá-lo para trás... mas hoje não me prenderei a ele). O filme valsa.. ops, versa sobre as idiossincrasias e peculiaridades que todos temos e que não devem ser deixadas de lado, pois acima de tudo elas nos tornam o que somos. Uns colecionam fotos 3x4, outros colecionam bolinhas de gude, mas todos temos as nossas manias. E o que Amelie nos mostra, de uma maneira muito bela (pelo menos me mostrou), é que as nossas vidas estão intimamente ligadas pela única coisa que todos no mundo temos em comum: Somos todos diferentes! E é ótimo que seja assim, pois dessa maneira sempre podemos aprender com os outros! Por isso nossas diferenças podem ser encaradas não mais como um fator limitante, mas como um fator unificador. Devemos primeiro aceitar nossas próprias peculiaridades para conseguir viver em harmonia com o resto do mundo.
Mas a complexidade dos personagens que compoêm o filme é alta e seria muita presunção minha assumir que seria capaz de esgotá-la nesse pequeno texto. A própria Amélie (representada magistralmente pela atriz Audrey Tautou) é uma personagem em constante conflito entre seus medos e seus sonhos, mas que tem a sua vida alterada drasticamente quando resolve realmente perseguir os seus sonhos. Colocada dessa maneira a mensagem do filme parece clichê, mas certamente não o é. Posso dizer que poucas vezes vi esse conceito ser abordado de maneira tão criativa e inovadora.


Mas acho que já falei demais e se continuar a escrever provavelmente não serei capaz de resistir ao impulso fatal de dar spoiler, o que seria realmente lastimável. O meu conselho é: O fabuloso destino de Amélie Poulain é um filme que vale a pena ser assistido, sem dúvidas.

Eu trouxe o meu olhar sobre o filme e que com certeza não é o único. Por favor, assistam e discordem de mim! hehehehe

sábado, 27 de dezembro de 2008

Ser ou não ser ...vegetariano


Inevitavelmente quando vou aos lugares e de alguma maneira as pessoas descobrem que sou vegetariano, é como tropeçar dentro de um celeiro com uma vela na mão. Usualmente o tipo de comentário que surge é: "Você vai ficar desnutrido", "Não come carne, mas peixe você come, não é?", "O ser humano é naturalmente carnívoro", "Você vai emagrecer", "Você vai ficar fraco" e todo o tipo de coisa dessa linha . Mesmo que o ser humano fosse "naturalmente" carnívoro, o ser humano também morria "naturalmente" aos 50 anos até há poucos séculos atrás. Hoje em dia podemos ver a mudança executada por nós mesmos sobre a "natureza". Se fomos capazes de aumentar em quase 50% a nossa expectativa de vida em alguns anos (500 anos para o universo são o mesmo que um segundo para nós), como não seremos capazes de substituir os alimentos de origem animal?
Para aqueles que não enveredam logo por essa linha argumentativa (se é que se pode chamar isso de linha argumentativa, é mais um ataque gratuito), a conversa encontra um novo obstáculo ao alcançar a pergunta " Qual é o seu motivo para ser vegetariano?". Quando digo às pessoas que sou vegetariano pelos direitos dos animais, outra saraivada de questionamentos são lançados: "Você tem pena dos animais, mas e das plantas? Você não tem pena das plantas?", " Você se preocupa com o sofrimento dos animais, com tanta gente passando fome no mundo?", quando não enveredam por uma linha de argumentação pseudo-histórico-científica: "O fato do ser humano comer carne foi um fator importante para a evolução da espécie humana acontecer da maneira que ocorreu, para sermos mais evoluídos do que os animais". Muitos desses argumentos podem ser desmontados facilmente, embora eu sempre esteja aberto para recebê-los e analisá-los. Primeiro, o fato de que somos mais "evoluídos" do que os outros seres é altamente questionável, graças ao caráter ambíguo da utilização do conceito de evolução. Segundo, mesmo que em certa altura da história o fato de a humanidade ter se alimentado de carne tenha sido favorável para o desenvolvimento da espécie humana, não é de maneira nenhuma uma conclusão lógica a de que nós precisamos continuar a perpetuar esse ato ad infinitum. A Guerra Fria foi um grande fator responsável pelo desenvolvimento científico e tecnológico no século XX e nem por isso saímos por aí fazendo "Guerras Frias" a torto e a direito. Claro, a Guerra Fria foi uma circunstância, não um evento propriamente dito. Mas o exemplo serve bem ao propósito.
Mas há uma questão que eu diria ainda mais essencial e importante que permeia todos esses discursos. A questão fundamental é: Por que a atitude de ataque? As pessoas sempre se defendem como podem, utilizando os argumentos (e as armas) que conhecem para tentar me dissuadir da minha escolha. E Por que? Ninguém pára uma pessoa na rua e diz: "Mas você, por que você usa tênis e não usa sandália? O tênis esquenta muito, é desconfortável, contém vários derivados do petróleo... Não, uma situação deste tipo não ocorre. Ninguém pára uma pessoa na rua e diz: Por que você anda de ônibus e não de bicicleta? O ônibus está quase sempre lotado, é demorado, libera gases nocivos ao ser humano, contribui para a formação do efeito estufa... (embora essa seja uma pergunta muito mais pertinente do que a anterior). Mas todos me perguntam o por quê de eu não comer carne. Pelo simples fato de ser diferente, pelo simples fato de eu ter feito uma opção diferente da delas. É tudo o que isso é: uma escolha. Eu opto por não causar sofrimento desnecessário às outras formas de vida (sim, eu penso no sofrimento das plantas e não, eu não sei como resolver esse problema). Talvez as pessoas encontrem na minha escolha diferente o seu maior inimigo. O medo. Medo de ter feito a escolha errada. E como todos os medos, o responsável é o ego. O tamanho do ego do ser humano atual é suficiente para dar 10 voltas no sistema solar (Cientificamente comprovado! hehehe). A luta do ser humano com o ego encontra-se subjacente à muitas das grandes discussões travadas desde que o mundo é mundo. Não, eu não tenho ainda uma resposta definitiva para esse problema. Mas estou totalmente receptivo a sugestões hehehe.
Então tudo se resume a isso para mim. A vontade de não provocar sofrimento desnecessário a outras formas de vida. Essa é uma linha de argumentação que muito me atraiu e me atrai ainda hoje em dia, embora uma outra esteja surgindo para mim. Uma nova (nem tão nova assim, pois os indianos já a discutiam, milhares de anos atrás) visão sobre o sofrimento. Mas isso é matéria para muitos outros posts. Por hoje é só.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um começo

Escrever o primeiro post é sempre complicado. Dar início a algo é complicado, pois na maioria das vezes nunca sabemos onde vamos parar. Apesar disso, talvez seja essa uma das maiores virtudes da condição humana: Viajar, sem saber o local de chegada. O ser humano que explora o seu verdadeiro potencial vive sem medo, pois enxerga a relatividade de todos os conceitos instituídos pela mente e consegue transcender todos os opostos. Bem e mal, preto e branco, claro e escuro, fogo e água, terra e ar, sim e não. Temos medo de coisas que não aceitamos bem, que não amamos, numa análise mais profunda. O amor traz consciência, traz clareza. E o medo nada mais é do que falta de clareza, falta de entendimento acerca de uma coisa. Uma metáfora que eu li uma vez me vem à cabeça agora e me parece bem oportuna: Se vemos um pedaço de corda no escuro, podemos ter medo dele e o confundirmos com uma serpente, por exemplo. Mas se acendemos a luz, o medo desaparece, pois enxergamos a corda como ela realmente é, uma corda. É isso que causa o medo, o fato de não enxergarmos a coisa como ela realmente é, por estarmos presos às redes e aos grilhões da nossa própria mente, das nossas próprias ilusões. O ser humano no seu máximo potencial é consciente e enxerga a corda como ela é, por isso o medo não existe.
Não, eu definitivamente não sou um ser humano no máximo do meu potencial, mas estou no meu caminho, aquele que só eu posso trilhar. E o fim desta jornada eu realmente não sei onde nem como vai ser, mas só espero que lá vendam batatas fritas ! hehehe