Estou começando uma nova experiência, nesse momento, fazendo intercâmbio em portugal. Vou usar então o espaço desse blog para relatar as minhas aventuras aqui em terras portuguesas.
Para começar, a chegada. Nada de mais, tranquila, ninguém pensou que eu fosse um terrorista. Nem encrencaram por eu estar trazendo UMA MESA do Brasil... hehehe. O tempo estava (e ainda está) um pouco nublado, chuvoso, fazendo mais ou menos uns 13 graus. Nada pra matar ninguém de frio, mas uma grande mudança se comparados aos 30 e muitos que faziam em Salvador. A primeira impressão que tive de Lisboa é que é uma cidade muito bonita (sou suspeito para falar, gosto do inverno e mesmo das árvores sem folhas), com um grande número de prédios antigos bem conservados, contrastando com os novos centros empresariais. É também uma cidade bastante "cosmopolita", com pessoas de diversos lugares diferentes do mundo. Os portugueses me pareceram bastante prestativos, apesar de ainda um pouco distantes. Por hoje é só.
P.S.: A minha tia fez uma Lasanha vegana para a minha chegada, maravilhosaaa!
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P.S.2: Fomos ver o túmulo de camões, mas falo mais sobre isso no próximo post.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
De qual lado nós estamos?
O filme é, como já foi dito extensivamente, um espetáculo para os sentidos. As cenas na floresta são especialmente bonitas, mostrando grande criatividade da equipe de fotografia não só nas cores, mas nas formas e conceito da vegetação e tudo mais. Não é bem sobre isso que eu quero tratar nesse post. Também não quero entrar no mérito da criatividade do roteirista que também não é lá essas novidades. Afinal, todo mundo sabe que Avatar é o novo Pocahontas, ou o novo Último Samurai, ou o novo Dança com Lobos, ou qualquer coisa do gênero. A questão que eu quero me aventurar a discutir nesse post é a questão das idéias por trás do filme. Já fui desaconselhado, com discurso do tipo: o filme foi feito pra ganhar o oscar e de um filme com esse intuito não se deve esperar nada brilhante em termos de conceito. Eu penso diferente: Acho que toda palavra (e seja aí um texto, uma música, um filme, um poema) tem um poder de criação e de influência muito grande e merece ser pensada com cuidado. Por isso me proponho a falar um pouco das minhas impressões sobre o filme.
Pra começar (e isso é meio que um desabafo, sei lá), o filme me deixou com uma sensação de incômodo muito grande desde a primeira vez em que vi, sensação essa que infelizmente não conseguiu ser apagada pela "tridimensionalidade" da segunda vez. Sensação ruim primeiramente pelo fato de que, apesar de toda a mudança na consciência global que vem ocorrendo(e eu fico feliz de estar vivo nesse momento), nós ainda somos os seres humanos e não os Na'vi representados no filme. Pelo menos no que toca as questões ecológicas e, mais fundamentalmente, o respeito para com as outras formas de vida. Ainda encaramos os outros seres e o meio ambiente não como nossos irmãos e nossa casa, na melhor acepção da palavra casa, mas como meios de satisfazer nossos desejos, como objetos inanimados que podem ser utilizados à vontade sem nenhuma obrigação moral. Se a idéia do filme era nos fazer refletir sobre este aspecto das nossas relações com os seres vivos do planeta, ele teve sucesso. Quanto às implicações da reprodução deste padrão de comportamento para o padrão de comportamento dos espectadores, acredito seriamente que esta não é a maneira correta de se agir. Em outras palavras, para transmitir uma mensagem que mostre a importância do cuidado com o meio ambiente, é eficaz mostrar imagens do DEScuidado com o mesmo e portanto naturalizar mais uma vez este padrão comportamental?
Além disso, Avatar traz novamente (sob uma roupagem nova, mais azul) a idéia da paz como um objeto a ser conquistado. A expressão "luta pela paz", mesmo que irreparavelmente inconsistente, é o tema mais uma vez de um filme. Acredito que não é possível lutar pela paz, pois ela não é um objeto a ser conquistado e sim um estado mental a ser cultivado. Mais do que a simples ausência do conflito, paz é para mim a busca pela não-violência no seu sentido mais amplo e abrangente e passa pelo entendimento de quem é o outro. Quem é o inimigo? Enquanto tentarmos impôr a paz com guerras, tudo que conseguiremos é uma paz que repousa no medo. A paz para mim será alcançada através de uma mudança significativa na nossa maneira de encarar o mundo e de encarar (coisa que muitos de nós não fazemos) a nossa imagem no espelho. Assim a paz poderá nascer. Não como um troféu numa prateleira, mas como uma flor num jardim.
Para finalizar, gostaria de retornar ao significado da palavra Avatar. Avatar, pelo pouco que eu entendo, é a manifestação de uma dada divindade em uma forma corporal, material. De alguma forma podemos fazer uma analogia com a "descida dos céus" de uma divindade e relacionar com o "povo do céu", mostrado no filme. A questão que se coloca é: Quem este povo do céu veio representar, e que valores ele representa? Que divindade é representada por este povo do céu, nós humanos?
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