
Acabo de chegar em casa e senti necessidade de escrever. Saí com a minha mãe para assistir um filme e agora estou aqui, a conversar com o meu grande amigo, o teclado. Bem... uma das coisas boas de não estar muito em contato com a mídia é não saber quais são os filmes da moda, os ditos bons e os ditos ruins. Eu olho, leio a sinopse bem básica, se achar interessante assisto e tiro as minhas próprias conclusões. Foi o que aconteceu com "O Curioso caso de Benjamin Button".
Logo de cara eu me encantei pela história (vi a sinopse em um cartaz quando fui assistir a um outro filme chamado "Queime depois de ler", que também recomendo) e resolvi ver o filme. Através de um roteiro incrivelmente envolvente e inteligente (baseado no livro/conto homônimo do escritor F. Scott Fitzgerald) que consegue prender a atenção pelos 166 minutos de filme, o filme inspira profundas reflexões sobre as nossas concepções sobre o tempo, o envelhecimento, a morte, mas também a vida. De maneira sutil e bela, conduzido pela mui expressiva atuação de Brad Pitt e Cate Blanchett, O curioso caso de Benjamin Button nos leva a pensar sobre como vivemos nossas vidas, o medo do tempo e a necessidade e importância de viver cada momento como ele é: único. Além disso, o filme trata em última instância de uma questão bastante pertinente para a física (puxando a batata um pouco para o meu lado. Batata sim, deixem as sardinhas em paz hehehe), que é a questão da simetria. Não importa se estamos envelhecendo ou rejuvenescendo, se o tempo passa para a frente ou para trás (analogia extremamente inteligente a do relógio andando para trás, na minha opinião), as mesmas noções ainda valem: viver cada experiência por completo, cada coisa em seu devido momento, sem sobressaltos ou angústias.

A história encerra uma simetria impressionante, que contribui para a beleza do filme de maneira explêndida. O filme possui uma carga muito grande de simbologia e a tarefa de levar a cabo a interpretação dos complexos personagens do filme foi, volto a dizer, magistralmente carregada por Cate Blanchett e pelo Brad Pitt que, na minha opinião, é um excelente ator para representar filmes de drama (Quem ainda não assistiu, procure o filme "Encontro Marcado", onde Brad Pitt contracena magnificamente com Anthony Hopkins). Antes de tecer alguns comentários sobre a minha visão simbólica do filme, devo no entanto alertá-los sobre duas coisas: Primeira: Quem ainda não assistiu o filme, saiba que vale todos os 166 minutos do seu tempo! Segunda:

ZONA DE SPOILER!!
Dados os recados, posso continuar com as minhas elocubrações. O filme começa com a inversão do relógio e da ordem vital, que se faz notar logo no nascimento de Benjamin: Ele nasce, enquanto a mãe morre. Rotas diferentes para um mesmo fim. O filme trata bastante da inevitabilidade da morte e também de como esse fato pode ser encarado de maneira positiva. Vamos todos morrer um dia, sem dúvida. O que nos resta é a escolha do que fazer com o tempo que nos é dado, parafraseando Gandalf hehehe. Essa inevitabilidade é representada pelo nascer do Sol, que independente dos acontecimentos do mundo se levanta todos os dias. Na minha opinião, a cena do nascer do Sol é, além de extremamente bela, uma clara referência ao livro "O Sol também se levanta", do escritor americano Ernest Hemingway (livro esse que tive a feliz oportunidade de ler nessas últimas férias). No caminho para casa vim pensando na simbologia dos botões, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão definitiva ainda. De alguma maneira os botões representam o ato de abrir e fechar, numa analogia com o portão, possivelmente uma representação do início e do fim. Talvez.
Sem dúvida O Curioso caso de Benjamin Button é uma obra-prima e já estou aguardando ansioso para que ele chegue logo em dvd e eu possa tê-lo em casa para rever cada detalhezinho do filme.
Para quem de alguma maneira chegou até aqui, mas ainda não assistiu o filme, a mensagem que fica é: Corra para o cinema agora para assistir o filme. Bem... pela hora, talvez trocar o pijama por uma outra roupa possa ser uma boa opção ^^

Pôxa Thi,
ResponderExcluirSó agora li o seu post sobre o filme "O curioso caso de Benjamim Button", engraçado que eu fiz umas reflexões parecidas. Realmente essa história do tempo que corre para frente, ou para trás, como no filme, nos traz reflexões importantes sobre o que fazemos com o nosso tempo entre o nascimento e a morte... e às vezes nós nos preocupamos tanto com a "chegada" que não nos preocupamos em observar o caminho...